Projetos de extensão coletivos concluídos,  Projetos de extensão universitária

Trilhas de memórias de Venda Nova-BH

As Trilhas de Memórias de Venda Nova/BH foram produzidas no contexto da pesquisa Educar Pela Cidade: Memória e Patrimônio Cultural e Ambiental,coordenada pelas professoras Karla Cunha Pádua e Lana Mara de Castro Siman, do Programa de Pós-Graduação em Educação, da Universidade do Estado de Minas Gerais (PPGE-UEMG). A pesquisa foi financiada pelo Edital 13/2012 – Pesquisa em Educação Básica, da Capes/Fapemig, contando com uma equipe de professores e estudantes dos grupos de pesquisa Polis e Mnemosine (UEMG), LABEPEH (UFMG) e PRODOC (UFMG) e com uma ampla de rede de parceria e colaboração na Regional de Venda Nova.

A proposta inicial foi gestada no Centro Cultural Venda Nova (CCVN), em julho de 2012, na gestão de Nila Rodrigues Barbosa como gerente institucional, que promoveu uma reunião na qual participaram potenciais colaboradores, da Regional Venda Nova e do LABEPEH (UFMG), para um diálogo em torno dos temas da história, da memória, do patrimônio e da educação.

Dessas primeiras discussões, que confirmaram a importância de inventariar objetos, documentos, fotografias, pessoas, dentre outras referências importantes para o fortalecimento da identidade cultural de Venda Nova, nasceu o projeto “Educar pela Cidade: memória e patrimônio cultural e ambiental”, incorporando novos atores em torno da proposta de organizar um “Mutirão da Memória e Patrimônio de Venda Nova”. A ideia foi se configurando e tomando novas formas. Entre muitas outras questões, o projeto incluiu a temática ambiental, baseando-se no conceito de “paisagem cultural”, desenvolvida pela UNESCO desde o início dos anos 90, que possibilita articular os aspectos naturais e culturais na discussão do patrimônio (CASTRIOTA, 2013). Isso nos levou a pesquisar práticas e saberes que acompanham as relações sociais das pessoas com áreas verdes – chácaras, hortas, quintais  – do lugar onde vivem, como referências culturais importantes da memória e da paisagem de Venda Nova.

Outra inovação do projeto foi o compromisso com a produção de materiais didático-pedagógicos voltados para utilização na Educação Básica. Um desses materiais é esse artefato cultural e pedagógico que denominamos Trilhas de Memórias de Venda Nova/BH, construído sobre o mapa da regional, no qual indicamos referências e práticas culturais de memória, no intuito de provocar o diálogo das pessoas com outros tempos e outras paisagens nelas sugeridos. Para isso, nos inspiramos na noção de trilhas, como sugerida por Viegas (2002), que convida as pessoas a refazer as conexões sociais com o lugar onde vivem, cujo sentido de pertencimento vai se perdendo com o acelerado processo de urbanização nas cidades contemporâneas.

Pretendemos com as referências culturais indicadas nas Trilhas de Memórias de Venda Nova/BH, convidar as escolas e o público em geral a transformar a paisagem cultural desse lugar da cidade em objeto de atenção e de reflexão, (re)significando-a e interagindo com ela por meio de possibilidades diversas. Nossas trilhas demandam disposição e abertura para novos lugares e relações, na medida em que estimula as pessoas a percorrer novos caminhos de circulação pelo território, a viajar pelas camadas do tempo, a reconectar-se com a paisagem e a reativar afetivamente as relações com as pessoas e os lugares. Pretendemos, por meio dessas trilhas, estimular o aguçamento dos sentidos, a ressignificação do olhar e o reestabelecimento de relações mais densas com a paisagem urbana, inspirada na ideia de que a cidade é um texto a ser lido e decifrado por quem nela perambula com inteligência e sensibilidade.

Enquanto artefato cultural e pedagógico, essas Trilhas de Memórias pretendem alimentar a curiosidade e despertar a imaginação dos alunos, estimulando a sua interação com a história e a paisagem local, por meio de diversos materiais escritos, orais e audiovisuais, narrativas de moradores, documentos, fotografias, músicas, poesias, sugestão de percursos, dentre outros. Para isso, este produto será disponibilizado em CD-ROOM aos professores das escolas e outros parceiros de Venda Nova, mas também ficará hospedado no portal da Faculdade da Educação, Campus de Belo Horizonte, da Universidade do Estado de Minas Gerais (FaE/CBH/UEMG), disponível a outros interessados. Também será complementado por outros produtos da mesma pesquisa, em fase de preparação, que darão suporte aos professores da Educação Básica para o diálogo com essas referências culturais e patrimoniais das Trilhas de Memória de Venda Nova/BH.

Com esses materiais, em diálogo com as memórias produzidas por diferentes sujeitos e grupos socioculturais da localidade, pretendemos disponibilizar para as escolas da Educação Básica, materiais inovadores que estimulem novas reflexões e práticas, “privilegiando o uso de mídias e tecnologias digitais para promover a integração escola, família e comunidade”, conforme proposto no Edital 13/2012 – Pesquisa em Educação Básica, da Capes/Fapemig. Acreditamos assim estar contribuindo para aprendizagens mais significativas e para a formação cidadã dos alunos.

Disponibilizamos ao todo 51 referências culturais, conforme definidas pelas novas políticas do patrimônio do IPHAN, nas quais não se leva em consideração apenas o valor histórico e artístico dos bens. Tratam-se, como destacou Londres (2000, p. 14) das “representações que configuram uma ‘identidade’ da região para seus habitantes, e que remetem à paisagem, às edificações e objetos, aos “fazeres” e “saberes”, às crenças, hábitos, etc.” Segundo essa autora, trata-se de levar em conta um ambiente, que não se constitui apenas de natureza – vegetação, relevo, rios e lagos, fauna e flora, etc. – e de um conjunto de construções, mas sobretudo de um processo cultural – ou seja, a maneira como determinados sujeitos ocupam esse solo, utilizam e valorizam os recursos existentes, como constroem sua história, como produzem edificações e objetos, conhecimentos, usos e costumes.

Em nossas trilhas, essas referências culturais receberam símbolos diferenciados para fins de organização interna. As trilhas “culturais” nos convidam a dialogar com o passado, a cuidar do presente e a mirar o futuro. Foram construídas seguindo inicialmente os rastros deixados pelo acervo particular de D. Lúcia César, considerada uma das guardiãs das memórias de Venda Nova, quem nos apresentou documentos valiosos sobre a história dessa regional, sob a guarda do Centro Cultural de Venda Nova (CCVN). Depois, essas trilhas foram se diversificando, revelando outros atores e outras memórias do lugar.

As trilhas “ambientais” convidam a observar a paisagem que entrelaça natureza e cultura. Os dados dessas trilhas resultaram da realização de entrevistas, entre o ano de 2013 e o primeiro semestre de 2014, com oito moradores de Venda Nova, proprietários/as de quintais, chácaras, hortas e responsáveis por programas socioambientais: Anália Eulália Ferreira (moradora do Jardim Europa); Antônio Alves (86 anos, bairro Piratininga); Cláudia Andrade de Barros (Centro Regional de Educação Ambiental-VN); Helena Correia da Silva (65 anos, bairro Céu Azul); Inêz Maria de Assis Carvalho (bairro Serra Verde); Lúcia César Santos (Centro); Neidi Tomaz de Souza Santos (72 anos, bairro Serra Verde) e Nillo Alves Franco (72 anos, bairro Novo Letícia).

Aproveitamos a participação do bolsista de mestrado Sebastião Everton para incluir, algumas referências culturais para as “trilhas juvenis”, enriquecendo nosso trabalho incluindo expressões mais híbridas, que nos revelam outras facetas das culturas contemporâneas. Os jovens de Venda Nova vêm marcando de modo irreverente a história cultural dessa localidade. No trânsito por este território e nos circuitos próprios de seu tempo, esses jovens nos mostram outros modos de ocupar a cidade, deixando-nos um convite para aprofundar estudos acerca das culturas juvenis, o modo como dialogam com outras memórias do lugar e com a paisagem cultural da cidade. Nessas trilhas juvenis, os principais interlocutores foram jovens ligados ao Hip Hop, a quem agradecemos a sua disposição para esse diálogo conosco.

Agradecemos a todos/as os/as nossos/as entrevistados/as e os nossos parceiros na regional de Venda Nova, especialmente, às professoras Roseli e Ana Maria, cidadãs vendanovenses que foram nossas principais interlocutoras, nos ajudando a estabelecer pontes com algumas escolas e com a história dessa regional. Sem a colaboração dessas pessoas, seria impossível o alcance desses resultados e a produção dessas trilhas. A maioria das imagens foi coletada por nossa bolsista de Apoio Técnico, a Kelly, a quem agradecemos as filmagens, fotografias e edição de vídeos, que registraram os contextos de realização das entrevistas, as oficinas, as rodas de memória, os seminários, as excursões, etc. Agradecemos também aos bolsistas e toda a equipe do projeto, e não podemos ficar sem deixar um agradecimento especial à Dilma, nossa principal ligação com a proposta gestada nas primeiras reuniões do LABEPEH com a gestora Nila, do CCVN, que nos mantem vivo o desejo de devolver este acervo de memórias à todos que lutaram pelo seu reconhecimento e preservação. Nossos agradecimentos à Capes e à Fapemig que disponibilizaram as bolsas e os recursos para a produção desses materiais didático-pedagógicos, na expectativa de aproximar a universidade das escolas e contribuir para melhoria da Educação Básica.

Referências

CASTRIOTA, Leonardo. Paisagem cultural: novas perspectivas para o patrimônio. Arquitextos, São Paulo, ano 14, n. 162.02, Vitruvius, nov. 2013 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/14.162/4960>.

LONDRES, Cecília. Referências Culturais: Base Para Novas Políticas de Patrimônio. In: IPHAN. Inventário nacional de referências culturais: manual de aplicação. Brasília: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, 2000.

VIEGAS, Susana de Matos. Trilhas: território e identidade entre os índios do sul da Bahia/Brasil. In: M. I. Ramalho e A. S. Ribeiro (Orgs.), Entre ser e estar: raízes, percursos e discursos da identidade, v. VIII, Parte I. Porto: Afrontamento, 2002. p. 185-211.

RODRIGUES, M. Projeto fóruns juvenis. A condição juvenil e seus territórios. Prefeitura Municipal de Belo Horizonte. Belo Horizonte 2014. p. 16.

EQUIPE

Coordenação

  • Coordenadora: Karla Cunha Pádua
  • Coordenadora: Lana Mara de Castro Siman
  • Universidade do Estado de Minas Gerais
    Programa de Pós-Graduação em Educação

PESQUISADORES BOLSISTAS

  • Bolsa de Iniciação Científica: Karla Lobato Fonseca
  • Bolsa Apoio Técnico Científico: Kelly Amaral de Freitas
  • Bolsa Professora Educação Básica: Roseli Correia da Silva
  • Bolsa Mestrado: Sebastião Everton de Oliveira

PESQUISADORES ASSOCIADOS

  • Fátima Silva Risério
  • Soraia Freitas Dutra
  • Dilma Célia Mallard Scaldaferri
  • Ana Maria Silva
  • Atiná Aguiar Pinter Cordeiro
  • Patrícia Pinheiro de Souza
  • Frederico Luiz Moreira
  • Lidiane Maria Arantes Souza

APOIO

  • CAPES
  • FAPEMIG
  • PPGE-UEMG
  • Grupo Polis e Mnemosine
  • LABEPEH
  • PRODOC

PARCERIAS

  • Centro Cultural de Venda Nova (CCVN)
  • Centro de Referência da Memória de Venda Nova
  • Centro Regional de Educação Ambiental (CEA)
  • Escola Municipal Adauto Lucio Cardoso
  • Escola Municipal Antônia Ferreira
  • Escola Municipal Professora Ondina Nobre
  • Escola Municipal Geraldo Teixeira da Costa.

EXECUÇÃO DO PROJETO GRÁFICO

Responsáveis:

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